domingo, 11 de outubro de 2009
E a tarde acabou
Desculpas por suas noites mal dormidas, pelas lágrimas que lhe fiz derramar, pela minha constante ausência, por ter magoado seu coração.
Ter perdido a chance de não cometer mais erros enquanto você estava ao meu lado foi um erro que carregarei pelo resto da minha vida. E agora, a dor de não ter a coragem de ter lhe parado da última vez que lhe vi para pedir que você me perdoasse pesara ainda mais.
Eu deveria ter feito o mínimo por você e errei por várias vezes. Por favor, me perdoe, nem que seja só através do seu pensamento.
Me perdoe para que eu também possa ser feliz como você está nesse momento.
domingo, 8 de março de 2009
Autoajuda
Próximo passo é me enlatar em um vagão do maldito metrô por quase quarenta minutos e depois andar dois quarteirões transpirando na terrível camisa de manga comprida.
Eu já deveria ter uma lata velha que facilitasse minha vida, mas meu chefe pensa que ganho bem demais para pagar tantas contas. E lá estão elas, periodicamente na caixa de correio, como se estivessem gritando "A merda do seu salário não dá nem para nos quitar".
Desolado, subo três vãos de escada, torcendo para não topar com Dona Hidalina, a velha rabugenta e mal amada que ama cobrar o aluguel vencido a partir do segundo dia. Eu juro que sempre desejo que ela pise em falso em algum dos degraus do terceiro vão.
Comida de micro-ondas, vazamento na pia do banheiro, pia da cozinha entupida e televisão pifada. Fiquei por alguns dias pensando o que seria consertado primeiro, então cheguei a conclusão que será a televisão, porque assim fico sem lavar louça por mais um tempo e o vazamento acaba lavando meu banheiro.
A única coisa que salva nessa melancólica vida que tenho se chama Letícia. Conheci essa exuberância loira no Drink's Bar. Ela é garçonete, mas às vezes gannha uma grana extra como dançarina. Corpo esbelto, seios avantajado, cabelo quase na bunda, e puta que pariu, que bunda que ela tem.
Esqueço toda a merda que é a minha vida quando ela está em cima de mim gemendo feito louca. Nunca vi nenhuma mulher gemer mais gostoso do que a Letícia. E o melhor, ou pior, que ela é do tipo descompromisada: goza, veste a roupa e vai embora. E como estou levando pelo lado bom da história, então por enquanto só quero mesmo é sexo e nada mais. E mesmo se ela quisesse algo serio além de uma bela trepada, bom, isso não seria comigo, afinal, sou um pé-rapado. Mas tudo bem, eu iria querer desfilar para cim e para baixo, uma Letícia sentada no banco do meu possante carro. Prefiro a 'Le' em cima de mim e em outras posições e lógico, gemendo muito.
Pena que hoje não é folga dela, precisava relaxar, porque amanhã no escritório vai ser o bicho e sinceramente, não queria recorrer a autoajuda.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Receita Batida de Novidade
É hilário ver as pessoas falando de esperança e mudanças somente nesse curto período de virada de ano. As festas acabam, o novo ano começa e todas elas esquecem dos votos feitos. Então os dias vão passando e logo começamos a escutar: “Esse ano já começou mal”. E o que os dias corridos têm a ver com as atitudes das pessoas? O que a numerologia influencia? O que as ondas, lentilhas e a roupa branca podem mudar nos seus hábitos diários?
O que pode mudar tudo são as atitudes diárias e boa parte da população mundial sabe disso, então por que não colocam em prática? A fome, as guerras civis e por causa da maldita religião, a crueldade, a violência, a corrupção, o aquecimento global e várias atrocidades estão expostas diariamente aos nossos olhos, mas muitos os fecham e pensam que não tem a capacidade de fazer nada contra.
A maior força vem do povo, os mesmos que jogam lixo nas vias públicas, que poluem de inúmeras formas o nosso meio ambiente que pede socorro, que coloca cada vez mais animais silvestres na lista dos ameaçados em extinção, que elegem e depois reelegem corruptos, que matam em nome de Deus ou por contra própria.
Não é mais um ano com cheirinho de novo que vai fazer com que as desgraças mundiais tornem-se mais brandas.
O capitalismo com seu poder maqueia as mentes humanas, e estes dançam conforme a partitura do consumismo. E por aqui como o ano começa só depois do carnaval, então é esperar mais um ano, com os dados alarmantes do nosso planeta batendo em nossas portas. Alguns deixam eles entrarem e fazem algo, mas a maioria fecha a porta e continua no seu ciclo de ‘não é comigo’.
Feliz Ano Novo e que a sua consciência seja menos hipócrita nesse ano de 2009!
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Entre palavras.
- Puta-que-pariu! Você está atrasada 20 minutos.
- Em primeiro lugar Fábio Henrique, não bata a porta do meu carro, este que nos leva a qualquer lugar todos os dias, em segundo lugar, eu estou atrasada exatamente 16 minutos porque peguei um pequeno congestionamento na Avenida Magalhães, por conta de um acidente.
Agora, se você tivesse um mero e simples celular eu poderia ter lhe avisado isso a uns 30 minutos atrás.
- Lá vem você com essa história de consumismo extremo.
- Não é consumismo Fábio, é precisão. Será que você não vê por este lado.
- Não, não vejo. O que enxergo é eu gastando uma grana com um aparelho e depois todo mês gastando outra grana com créditos. Olha que banalidade.
- Banalidade? Ok então, mas você vai ter que concordar que eu, gastando meus créditos, poderia ter lhe avisado do meu atraso.
- Não dá pra ir mais rápido não? Desse jeito vou perder a prova e se isso acontecer to ferrado de novo nessa porcaria de matéria.
- Estou indo o mais rápido que posso, ou você quer que eu fure um sinal vermelho e atropele uma velha senhora ou um muleque indo pra escola?
- Antes eles do que eu perder a prova. E dá pra trocar esse cd, não sei como você consegue ouvir tanta barulheira e isso logo de manhã.
- Fábio, eu trabalho com isso, produção, lembra?
- E isso justifica ficar ouvindo tantas guitarras e baterias saltando dessas caixas logo cedo?
- Se não fosse essas guitarras e baterias saltando no seu ouvido todos os dias de manhã, você estaria indo pra faculdade de ônibus ou metrô.
- Tudo bem, eu esqueço que to de penetra aqui e que todos os dias você me faz esse favor. Foi mal!
- A nem Fábio, tenha a santa paciência. Eu não estou cobrando o que faço por você, só queria que você ajudasse mais com suas palavras.
- Palavras? Que tal você olhar mais pra suas também, porque vire e meche é esse lance de falar que se sacrifica por mim.
- O que? Eu nunca disse que me sacrifico por você.
Fábio vamos parar essa conversa por aqui, porque olha onde isso está chegando por causa de um atraso que não teve como lhe avisar.
......
- Pode parar aqui mesmo, porque assim entro pelo bloco C, é melhor que você dar a volta.
- Se é melhor pra você, então ta.
- To em cima da hora. Mas 2 minutos e já era a chance de não ver aquela mocréia no próximo período.
- Fábio, te amo!
- Também lhe amo amor.
- Ah e não esqueça os DVDs pra hoje à noite.
- Podexá amor.
E eu ainda me pergunto por que amo esse garoto.
Aumento o volume do som, alias, eu vivo disso.
sábado, 18 de outubro de 2008
Fagulhas
Engraçado, estou falando de mim. Não há mistura, nem ficção, estou falando de mim e só agora que senti aquele estralo que deixou-me imóvel por alguns segundos. Lembrei na hora de uma amiga que disse certa vez que eu deveria usar esse espaço para fazer desabafos meus e não escrever contos fictícios (ou não), na época disse a ela que quem sabe um dia faria isso, então querida Cy eis o grande dia. Sim, aqui quem vos fala é Dany (sempre foi) de uma personagem chamada Dany, no auge de seus 26 anos, uma fracassada em vários sentidos (e frustrada também) e bem sucedida em outros. Queria ter me formado em Biomedicina, mas tudo tomou rumos diferentes, eu tenho certeza que faria descobertas importantes no campo da genética, mas fiquei entre números, planilhas e fluxos.
Cresci no meio da música, do canto e da dança, paixões que agora são passado, como milhares de coisas são, lógico, mas tocar e cantar pra mim sempre foi e ainda é algo que nem o amor mais puro chega aos pés. Mas acabei deixando-os de um lado por motivos diversos que fazem lágrimas caírem de meus olhos.
Putz, falar de mim não está nada fácil. Anos de tratamento, de altos e baixos, de lutas, glórias e derrotas, de conquistas, de amores e ódios. Nesse momento passa pela minha mente os rostos daqueles que foram realmente meus amigos, os que ainda são (foram pouquíssimos que passaram), os que disseram ser; dos que magoei, dos que fiz chorar e dos que não fui capaz de ajudar, me perdoem!!!
Tem meus pais, eu sei que brigamos, mas mesmo que as vezes eles não me entendam, jamais viraram as costas nos momentos foda.
Se eu fosse escrever tudo que passasse na minha nesse exato momento com certeza teria que ficar muito mais tempo do que me resta e Man of the Hour está no fim pela milésima vez, acho que chega, talvez só por hoje, talvez por estações inteiras.
http://www.youtube.com/watch?v=tK_3VJPZo-I&feature=related
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Martírio
Tudo que é seu está no mesmo lugar, eu não quero lhe esquecer, mas também não quero sua presença o tempo todo em minha mente. Eu preencho o vazio com alguém que não está mais presente e isso tudo é uma loucura, porque fico me enganando quando converso com você no café da manhã, nos fins da tarde e na hora de dormir.
Não há mais nada aqui, somente as ilusões doentias de uma mente poluída com sua imagem.
Nunca pensei que certas músicas quando ouvidas doessem tanto, lugares dessem uma alegria juntamente com um mal estar e que fotos trouxessem à tona tantas lágrimas.
Eu borrifo seu perfume pelo quarto para que eu tenha a doce ilusão de que você está deitado na cama me olhando e sorrindo. Jogo algumas das suas roupas que ficaram comigo pela cama para achar que você está no banho e que saíra cantarolando nossa música.
Ainda compro seu vinho preferido e uvas passas e levo tudo pra cama nas noites de sábado, mas é estranho acordar e ver sua taça intocada e nenhuma uva passa jogada pelo chão e brigar com você somente em minha mente.
Eu jurei lhe amar eternamente, e quando dizia isso não era pra soar apenas bonito aos seus ouvidos, era e é muito real, tão real que vejo você caminhando por estes cômodos e falando o quanto sou linda e o tamanho do seu amor por mim.
O meu amor transformou-se em loucura, tanta que já não sei se quero apenas continuar imaginando a sua presença aqui. Quero estar com você aonde você estiver, mas eu não sei como chegar até sua alma. Por isso a mais de um mês que venho lhe pedindo para me mostrar como faço isso. Não seja egoísta meu amor, me leve com você antes que a loucura se encarregue disso.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
E no fim só sobra o silêncio
O estranho é o por que os seres humanos só dão valor, principalmente às pessoas, depois que estas se vão.
Os abraços que poderiam durar horas e serem repetidos por dias passam em branco por egoísmo, falta de tempo, desinteresse.
Conversas que resultariam em entendimentos e belas risadas ficam apenas na memória de um 'poderiam ter acontecido'.
Passeios agradáveis com cenários conhecidos ou não deixariam lembranças agradáveis registradas em fotos que serviriam de resgate para quando a saudade batesse.
Deixamos que tudo de bom fique apenas formulado em nossas mentes e então quando perdemos ficamos a lamentar por não ter aproveitado ao máximo o tempo disponível ao lado dessa pessoa.
Podemos fazer alguma coisa por alguém e por nós mesmos enquanto estes e nós estamos vivos, porque depois que a terra encobre o que não têm mais vida, aí sobram apenas o silêncio, as lágrimas e as lamentações.
